Em Lisboa ( floresta de betão ), dei-me conta da realidade tinha-me tornado um toxico-dependente ( leia-se amor-dependente ), eu havia começado a consumir, as chamadas drogas leves, à muitos anos atrás, e sem dar por isso fui-me tornando num consumidor inveterado, destas drogas. Uns “flirts“ aqui e ali, umas pequenas paixões mais a diante... até que um dia encontrei, e sem sequer pensar nas consequências, injectei o Evereste deste tipo de drogas, primeiro pequenas doses e depois doses maiores... havia encontrado o AMOR,
Fui-me injectando regular-me, de modo a evitar a ressaca, até que um dia quase morria de overdose... pensei que era o pior que me havia acontecido na vida, mas... o pior, o verdadeiro mal, ainda estava para vir... a ressaca. A ressaca obriga-me a pensar, não sei em quê, mas em algo, não consigo fazer com que o meu cérebro pare de pensar... fico confuso, eu, uma pessoa com a perfeita capacidade de controlo sobre todo o meu ser... perdi completamente o controlo, não consigo parar de pensar... como é isto possível, em que parte da minha vida é que eu perdi o controlo de mim...? Acho que sei o que preciso... acho que preciso de alguns estalos para acordar... para que eu me aperceba que não estou sozinho neste mundo, não sou o único toxico-dependente... preciso de uma reabilitação, para que me devolvam a vontade de viver...
Essa vontade, perdi-a à cerca de 7 meses atrás, quando cheguei a este antro de podridão... foi então que perdi tudo o que significava algo para mim, perdi a minha família, amigos, a minha aldeia e cidade... mas acima de tudo, o canto dos pássaros pela manhã, a brisa do mar, perdi... a minha VIDA...
Quando eu pensava que era o fim, que a morte se aproximava a galope, os meus anjos salvadores apareceram... pagaram a minha fiança e finalmente pude sair em liberdade... inspiro.... expiro... inspiro... expiro... ...finalmente estou livre...
Sai de Lisboa ainda a ressacar e com a marca de ex-recluso na testa... eu... agora... era um ex-recluso da dor à procura de re-inserção social, no cruel mundo dos sentimentos... mas um ex-recluso é sempre um ex-recluso, e foi com essa discriminação que tive que lidar, e só depois, aprender a viver com ela...
...mas não sei se era de mim, se era algo que as outras pessoas provocavam em mim, se era simplesmente o facto de eu ser um ex-recluso, mas... algo faltava, o meu corpo pedia e desejava ardentemente algo... penso... será isto uma recaída, andava eu novamente à procura desta droga...