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Mensagens

A tempestade

A noite está escura como breu, olho para fora do carro e sorrio sem vontade, a natureza está a concordar com o meu estado de espírito.

De máximos ligados continuo, louco, estrada fora fugindo por entre aquelas árvores, ignorando o perigo, apenas focado em fugir de ti, em fugir das tuas palavras que sinto marcadas a fogo no meu cérebro.

A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

Estaciono, saio do carro para não ouvir a tua musica novamente. Um arrepio intenso faz-me apertar o casaco e saio a passos largos, enquanto o frio e a chuva esforçam-se por me enregelar os ossos, o espírito, esse, já à muito está enregelado.

Esfrego os olhos tentando eliminar o cansaço da viagem nocturna. De olhar vazio, avanço mecanicamente pela rua, lutando contra os elementos, lutando contra a tua imagem.

Vejo f…
Mensagens recentes

(Mais) Um (novo) passo...?

Todos os dias damos imensos passos, alguns pequenos, como decidir acordar cedo e sair da cama, decidir fazer a barba, comer menos, fazer uma dieta e outros maiores como voltar a estudar, mudar de emprego ou mudar de carro.
Existem no entanto alguns que são life-changing.
A mudança é sempre difícil, acho que é normal que exista uma resistência natural à mudança, os nossos cérebros não estão preparados para a mudança, são formatados desde a infância para procurar, criar padrões e equilíbrios para que nos mantenhamos sãos e racionais... e eu... ora eu não sou excepção a esta regra.
Existem no entanto coisas que tornam a mudança mais fácil de digerir, de aceitar, na dieta uma francesinha uma vez por semana, no trabalho um aumento, no acordar cedo... euh... pois neste não existe parte boa.
Mas depois... depois existem aquelas mudanças, que não damos conta, que simplesmente acontecem, aquelas que são... naturais... que são... boas. Aquelas mudanças que só damos conta quando pensamos em fazer a…

Cliché

Luz... uff já é dia... felizmente a dificuldade em abrir os olhos não consegue contagiar o sorriso instantâneo, que, apesar de sonolento é aberto e verdadeiro. Ainda em automático procuro-te a meu lado, a realidade no entanto relembra-me que já saíste e que aquele sonho bom que tive, foi um dos teus beijos de bom dia.
Levanto-me, o meu sorriso ganha nova força, o que é estranho pois acordar cedo nunca foi fácil para mim, no entanto hoje em dia acordo, inspiro fundo e sinto-me imediatamente preenchido por um sentimento de calma e felicidade, fazendo com que aquele sorriso que surgiu sem motivo aparente fique durante o dia todo sem que nada nem ninguém o consiga esbater.
Acho que percebi a razão do meu sorriso incessante.

As paixões normalmente fazem-nos agir sem pensar, sem dar importância às consequências, apenas o momento interessa, apenas o próximo encontro, a próxima chamada, mensagem... enfim, mas toda essa ânsia, esse frenesim, que sentimos vai esmorecendo... inclusive …

(Complexamente) Simples...

"Ninguém é tão complexo quanto se acha, mas também nem tão simples."
- Uma frase, parece uma simples frase no meio de imensas, no entanto só esta me fez parar... mas só para me perder em mais uma das minhas constantes análises (infrutíferas) à psique humana. O que sou (?), porque o faço o que faço (mas  talvez mais importante), quem sou na realidade, são perguntas que parece que cada vez mais sinto dificuldade em responder.
Mas... se ninguém é tão complexo quanto se acha, então talvez, os constantes devaneios etéreos que sinto serem eufemismos de uma tristeza e solidão maior, não são mais do que hipérboles de um ser mimado e exagerado (!?).
Recuso-me a esta conclusão, a ser simples ou mediano, não gosto do vazio ou do fácil, preciso de conquistar, de ganhar pela luta. Custa-me pensar ser possível que a sinestesia de sentimentos racionais que sinto seja falsa (?). 
Este mal-estar que sinto ser tão complexo e insatisfeito, não pode ser fruto de um coração ou de uma mente...
simples…

True Silence.

Silencio...
Não acho que exista maior verdade do que o verdadeiro silêncio, aquele de uma noite de verão num qualquer lugar distante, longe da civilização, aquele onde até o nosso cérebro consegue parar e ficar em paz.... sem pensar. Já estivemos assim, muitas vezes, em equilíbrio, em silencio perfeito...

Infelizmente essa calma nem é continua nem eterna, os nossos silêncios por vezes tornam-se agrestes e até violentos, mas eu não quero que essa tormenta continue, eu quero e vou lutar para que sempre depois da tormenta chegue o consolo da acalmia da bonança.

Deitado a teu lado, deleito-me em silencio a observar os teus sonhos sorridentes, (adoro quando adormeces a sorrir)... 
A verdade absoluta está no silencio, na calma paz que ele transporta, não digas nada, deixa-te estar assim, aqui, só nós os dois...
...em silencio perfeito.

Calor

Abro a torneira, o som de água a correr interrompe e preenche o silencio. Olho o espelho, encho as mãos de água e esfrego a cara numa tentativa vã de lavar tudo o que penso... vejo... tudo menos o reflexo de quem sou, vejo-te no passado, mas essencialmente o que eu quero que volte a ser realidade.

Oiço lá fora a chuva, o frio, curioso, desloco-me vagarosamente e afasto as cortinas. Na rua espio as pessoas a correr, a tentar evitar o inevitável, fugir da chuva. Não entendem, ninguém entende, que apenas o que conseguem é ficar cada vez mais molhadas, é sentir cada vez mais frio. Fugir não é a solução, nunca vamos conseguir correr com os grilhões do passado a prender-nos os movimentos, nunca conseguirão fugir àquela nuvem escura que tapa todo o firmamento e nos impede de ver o sol.

Escondidos sob o parapeito do prédio vizinho vejo outro grupo, a tentar evitar a chuva, ora abrigando-se quando é demasiado forte, ora saindo com guarda-chuvas quando ela está mais fraca... mas evitar a chuva …

sinto-te em mim

Tentei, sério que tentei... Tentei de todas as formas apagar-te de mim, passar uma borracha, um corrector, riscar, destruir tudo o que vivemos. O sofrimento era tal que tentei por todas as formas preencher com ruído aquele buraco enorme, aquele vazio aparentemente interminável que ficou depois de partires.

De olhos vidrados, vou-te observando, foto atrás de foto, memória atrás de memória. Se me perguntassem, juraria que é uma irritação o que tenho nos olhos, mas na realidade, é a tua falta, é a dor que sinto de não te ter aqui. Não deves saber, mas as imagens que ainda não consegui limpar de ti, cortam-me os pensamentos como relâmpagos, sem ordem ou direcção própria ou sequer destino, apenas milhares e milhares de imagens e momentos numa enxurrada destruidora de qualquer racionalidade ou sanidade mental.

Será que tens a mínima noção... será que te apercebes de como me fazes feliz quando simplesmente me sorris nas poucas vezes que nos vemos hoje em dia... e como me torturas quando me diz…