A tempestade

A noite está escura como breu, olho para fora do carro e sorrio sem vontade, a natureza está a concordar com o meu estado de espírito.

De máximos ligados continuo, louco, estrada fora fugindo por entre aquelas árvores, ignorando o perigo, apenas focado em fugir de ti, em fugir das tuas palavras que sinto marcadas a fogo no meu cérebro.

A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

Estaciono, saio do carro para não ouvir a tua musica novamente. Um arrepio intenso faz-me apertar o casaco e saio a passos largos, enquanto o frio e a chuva esforçam-se por me enregelar os ossos, o espírito, esse, já à muito está enregelado.

Esfrego os olhos tentando eliminar o cansaço da viagem nocturna. De olhar vazio, avanço mecanicamente pela rua, lutando contra os elementos, lutando contra a tua imagem.

Vejo finalmente a minha casa, o sol nasce atrás de ti. Com frio, mas com os primeiros raios de sol na minha face, decido abrandar e abraçar aquele sol.

Amanha o dia vai ser melhor.

(Mais) Um (novo) passo...?

Todos os dias damos imensos passos, alguns pequenos, como decidir acordar cedo e sair da cama, decidir fazer a barba, comer menos, fazer uma dieta e outros maiores como voltar a estudar, mudar de emprego ou mudar de carro.

Existem no entanto alguns que são life-changing.

A mudança é sempre difícil, acho que é normal que exista uma resistência natural à mudança, os nossos cérebros não estão preparados para a mudança, são formatados desde a infância para procurar, criar padrões e equilíbrios para que nos mantenhamos sãos e racionais... e eu... ora eu não sou excepção a esta regra.

Existem no entanto coisas que tornam a mudança mais fácil de digerir, de aceitar, na dieta uma francesinha uma vez por semana, no trabalho um aumento, no acordar cedo... euh... pois neste não existe parte boa.

Mas depois... depois existem aquelas mudanças, que não damos conta, que simplesmente acontecem, aquelas que são... naturais... que são... boas. Aquelas mudanças que só damos conta quando pensamos em fazer algo que supostamente iria contra a nossa natureza mais básica mas que agora... não. Agora pensar nessa possibilidade de mudança chega a ser bom, não, chega a ser fantástico... chega a ser tudo o que queremos! E é aqui quando finalmente damos conta do que se passou...

mudamos...

mudei.

Tornas esse passo tão simples e tão natural que o quero dar contigo...

Cliché



Luz... uff já é dia... felizmente a dificuldade em abrir os olhos não consegue contagiar o sorriso instantâneo, que, apesar de sonolento é aberto e verdadeiro. Ainda em automático procuro-te a meu lado, a realidade no entanto relembra-me que já saíste e que aquele sonho bom que tive, foi um dos teus beijos de bom dia.

Levanto-me, o meu sorriso ganha nova força, o que é estranho pois acordar cedo nunca foi fácil para mim, no entanto hoje em dia acordo, inspiro fundo e sinto-me imediatamente preenchido por um sentimento de calma e felicidade, fazendo com que aquele sorriso que surgiu sem motivo aparente fique durante o dia todo sem que nada nem ninguém o consiga esbater.

Acho que percebi a razão do meu sorriso incessante.

As paixões normalmente fazem-nos agir sem pensar, sem dar importância às consequências, apenas o momento interessa, apenas o próximo encontro, a próxima chamada, mensagem... enfim, mas toda essa ânsia, esse frenesim, que sentimos vai esmorecendo... inclusive em muitos casos simplesmente acaba. Não me interpretem mal, eu próprio achava e esse esmorecer era sempre mau, hoje percebo que não, pelo contrário. Sim porque em alguns casos, muitos deles apenas uma vez na vida, transformam-se e quando isso acontece... é muito bom.

Podia dizer que atingi o nirvana sentimental, ou simplesmente encher este post de chiclés, sim porque o amor é exactamente isso, um conjunto enorme de clichés e situações pirosas/lamechas que nunca vamos ter coragem de admitir que adoramos e fazemos. É dizer frases feitas como, "és o meu sol", ou "és o calor que me alenta", ou ainda "és o meu porto seguro", ou uma tanta infinidade de metáforas sinonimas da importância que tens para mim.

És o meu guilty pleasure que deixei de temer admitir.

(Complexamente) Simples...

"Ninguém é tão complexo quanto se acha, mas também nem tão simples."

- Uma frase, parece uma simples frase no meio de imensas, no entanto só esta me fez parar... mas só para me perder em mais uma das minhas constantes análises (infrutíferas) à psique humana. O que sou (?), porque o faço o que faço (mas  talvez mais importante), quem sou na realidade, são perguntas que parece que cada vez mais sinto dificuldade em responder.

Mas... se ninguém é tão complexo quanto se acha, então talvez, os constantes devaneios etéreos que sinto serem eufemismos de uma tristeza e solidão maior, não são mais do que hipérboles de um ser mimado e exagerado (!?).

Recuso-me a esta conclusão, a ser simples ou mediano, não gosto do vazio ou do fácil, preciso de conquistar, de ganhar pela luta. Custa-me pensar ser possível que a sinestesia de sentimentos racionais que sinto seja falsa (?). 

Este mal-estar que sinto ser tão complexo e insatisfeito, não pode ser fruto de um coração ou de uma mente...

simples.

True Silence.


Silencio...

Não acho que exista maior verdade do que o verdadeiro silêncio, aquele de uma noite de verão num qualquer lugar distante, longe da civilização, aquele onde até o nosso cérebro consegue parar e ficar em paz.... sem pensar. Já estivemos assim, muitas vezes, em equilíbrio, em silencio perfeito...

Infelizmente essa calma nem é continua nem eterna, os nossos silêncios por vezes tornam-se agrestes e até violentos, mas eu não quero que essa tormenta continue, eu quero e vou lutar para que sempre depois da tormenta chegue o consolo da acalmia da bonança.

Deitado a teu lado, deleito-me em silencio a observar os teus sonhos sorridentes, (adoro quando adormeces a sorrir)... 

A verdade absoluta está no silencio, na calma paz que ele transporta, não digas nada, deixa-te estar assim, aqui, só nós os dois...
...em silencio perfeito.

Calor

Abro a torneira, o som de água a correr interrompe e preenche o silencio. Olho o espelho, encho as mãos de água e esfrego a cara numa tentativa vã de lavar tudo o que penso... vejo... tudo menos o reflexo de quem sou, vejo-te no passado, mas essencialmente o que eu quero que volte a ser realidade.

Oiço lá fora a chuva, o frio, curioso, desloco-me vagarosamente e afasto as cortinas. Na rua espio as pessoas a correr, a tentar evitar o inevitável, fugir da chuva. Não entendem, ninguém entende, que apenas o que conseguem é ficar cada vez mais molhadas, é sentir cada vez mais frio. Fugir não é a solução, nunca vamos conseguir correr com os grilhões do passado a prender-nos os movimentos, nunca conseguirão fugir àquela nuvem escura que tapa todo o firmamento e nos impede de ver o sol.

Escondidos sob o parapeito do prédio vizinho vejo outro grupo, a tentar evitar a chuva, ora abrigando-se quando é demasiado forte, ora saindo com guarda-chuvas quando ela está mais fraca... mas evitar a chuva também não é a solução, evitar não nos ajuda a progredir, a evoluir, evitar não nos vai permitir seguir em frente e viver... evitar também não é a solução...

...mas chove tanto...

Vejo-te lá em baixo, a caminhar pelo meio da rua, sem medo e feliz no meio da chuva, não foges, não te escondes, simplesmente vens ter comigo, e aí percebo... a única forma de ser feliz é sentir o teu calor a aquecer-me por dentro... contigo enfrento chuva, frio, neve, tudo...

...contigo, aqui, sou feliz.

sinto-te em mim

Tentei, sério que tentei... Tentei de todas as formas apagar-te de mim, passar uma borracha, um corrector, riscar, destruir tudo o que vivemos. O sofrimento era tal que tentei por todas as formas preencher com ruído aquele buraco enorme, aquele vazio aparentemente interminável que ficou depois de partires.

De olhos vidrados, vou-te observando, foto atrás de foto, memória atrás de memória. Se me perguntassem, juraria que é uma irritação o que tenho nos olhos, mas na realidade, é a tua falta, é a dor que sinto de não te ter aqui. Não deves saber, mas as imagens que ainda não consegui limpar de ti, cortam-me os pensamentos como relâmpagos, sem ordem ou direcção própria ou sequer destino, apenas milhares e milhares de imagens e momentos numa enxurrada destruidora de qualquer racionalidade ou sanidade mental.

Será que tens a mínima noção... será que te apercebes de como me fazes feliz quando simplesmente me sorris nas poucas vezes que nos vemos hoje em dia... e como me torturas quando me dizes olá na face?

Será que sentes... que me levas ao infinito quando me olhas daquela maneira de sempre, daquela, que só tu sabes como, ou quando me tocas "acidentalmente", ou ainda quando temos aqueles momentos de riso parvo e sem sentido tão nossos? E logo a seguir destruído quando me ignoras.

Será que já te apercebeste que és na realidade a minha vida e que não consigo, por muito que tente, viver longe de ti.

Espero que sintas que hoje...
...hoje sinto-te novamente em mim.

Sozinho à noite

Já tarde finalmente chego a casa, atiro as chaves para cima da cómoda e subo para o quarto num misto de cansaço e frustração. Dispo-me sem ligar a luz e deito-me no meu lado da cama, fecho os olhos para me habituar ao escuro e tento procurar-te ali no teu lado da cama...

Não me sinto bem, sinto uma amargura extrema, volto-me e revolto-me na cama procurando acalmar-me sem nunca entrar no teu lado da cama... mas o motivo para a minha amargura tem tanto de simples como de imensamente complexo....

Como agua num deserto procuro, uma solução, um caminho que eu possa escolher e seguir até ti, sorrio a solução é tão simples.... a solução és tu... aqui ao meu lado.

Preciso que ocupes esse lado da cama, tão frio, tão vazio de ti.

Preciso de ti.
(mais que mil)

Chegar a ti.

Abro os olhos, após quatro horas finalmente vejo Lisboa chegar... a torpeza que sinto desaparece pelo silvo da porta a abrir, num crescendo de excitação apanho as minhas coisas e saio para o vento da estação, à porta respiro fundo enquanto olho em volta à tua procura. Vejo abraços de olá, vejo os apressados por chegar a casa, por chegar ao trabalho... mas não te vejo... e eu só quero chegar a... ti.

Algo desiludido por me esperares no nosso ponto de encontro, desloco-me para as escadas, o vento frio corta-me a cara mas o meu coração já dispara por ti. Sorrio quando oiço o meu mp3 brincar com os meus sentimentos tocando uma musica que agora é tua. Automaticamente aproximo-me do nosso ponto de encontro, sinto-me perdido no meio de tantas pessoas, percorro-as uma a uma procurando-te, esperando que estivesses ali, à minha espera...

Não te vejo, olho em volta pensando se aquele não seria o sitio onde sempre nos encontramos, mas é, eu tenho a certeza, percorro todo o cinzento da estação, todas as pessoas, todos os lugares e finalmente sorrio, timidamente vejo-te a mexer no telemóvel, levantas a cabeça e sorris, procurando a tua, estico a minha mão timidamente respondes-me com o calor da tua mão, nervosa...

Olho-te nos olhos, perco-me completamente na imensidão desse azul, fico hipnotizado por eles a cada olhar teu, como que pedindo-te autorização, aproximo-me só o suficiente para me sentires respirar. Suavemente, toco-te com o nariz, sorris-me, perco qualquer medo, qualquer receio, mas travo ao primeiro toque dos teus lábios... percebes-me e avanças para um beijo longo, demorado, onde partilhamos um abraço, onde partilhamos o sabor, onde partilhamos... tudo.

Não percebi bem o que se passou, o mundo ficou desfocado e apenas tu estavas no meu olhar, ficava ali, naquele Eden, a beijar-te indefinidamente, mas noto que o exterior mudou, apenas porque paraste de me beijar, porque paraste!? porque não estas colada a mim!? Finalmente o mundo ganha detalhe, olho em volta e vejo o teu quarto, vejo-te deitada a meu lado... sorris-me... parados sem nos tocarmos adormecemos lado a lado a sorrir e a sonhar com o amanhã...

Foto do autor : Ayush Bhandari

"Strawberry fields forever"

Contemplo-te, no lado oposto da cama mergulhada no azul do meu lençol, à medida que te oiço falar o teu tom de voz rouco e sonolento derrete-me a um ponto que eu não achava ser possível. Não sei se é pelas palavras ternurentas ou pelo tom doce do teu olhar... ou simplesmente pelo simples facto de estares... ali.

Sorrateiramente, arrastas-te até mim, o calor do teu corpo despido desperta-me, a tua face deita-se sobre o meu peito arrepiado enquanto sinto a tua perna enroscar-se na minha. Num acesso de energia lanças-te sobre mim com aquele sorriso de quem prepara uma "vingança terrível", elevas-te, o teu olhar outrora doce torna-se felino e fixo no meu, num misto de intimidado e excitado sinto-te planeares o teu próximo passo...

... o que farás?
(to be continued)

Periodo de carência

Numa mistura de excitação com angustia, observo os dias a passar, arghhh!! como os odeio de morte por não serem segundos, olho compulsivamente o telemóvel desesperando por mais uma mensagem tua, por mais um sorriso provocado por ti, por mais borboletas a voar livremente pelo meu estômago, por mais... de ti.

O momento aproxima-se, o tempo torna-se demais e a espera nunca mais finda, só o estar contigo importa, só o poder finalmente estar perto de ti, sentir o teu perfume misturar-se com o meu, sentir o toque da tua pela na minha, sentir... TE.

Sem saber bem porquê estremeço ao ver-te, com calma aproximas-te , observando-me desafiante, medindo os meus passos, sem me tocar paras perto demais, mas sinto-te, de tal forma que perdi qualquer controlo sobre o meu corpo, todo ele reage a ti e cede sob a influencia da tua voz, do teu sorriso...

Sob o poder dos teus lábios.

Ontem à noite

Não consigo adormecer,
olho o escuro do meu quarto, procurando uma acalmia, mas apenas vejo o teu olhar... triste, comigo, pelo que te fiz sofrer...

Não consigo adormecer,
não contigo zangada comigo, não com este peso na minha mente, com esta repulsa que sinto de mim, com esta dor indescritível que me estilhaça o coração.

Não consigo adormecer,
Tento que me respondas às minhas mensagens, tento ouvir a tua voz, preciso de ouvir a tua voz, preciso que me perdoes, preciso que me insultes, preciso de qualquer coisa... preciso de ti.

Não consigo adormecer,
Atendes, oiço o teu silencio, insulta-me, perdoa-me, diz algo, mas diz... preciso que me perdoes, preciso que entendas, preciso que me digas que está tudo bem.

Com o teu silencio ainda a ribombar pelo meu cérebro tento adormecer... mas não consigo.

A continuação do beijo...

O som familiar da campainha acorda-me de torpeza onde me encontrava, sorrindo vou já imaginando como estarás, como te encontraria por detrás da porta que nos separa.

És tu.

Sem perceber bem porquê, entras de rompante, a tua mão no centro do meu peito indica-me o caminho para dentro e com o pé chutas a porta para o seu estado natural. O teu olhar, o teu sorriso, explica-me o que um tremor que me percorre o corpo diz que já percebi...

O prazer dos teus beijos sôfregos imobilizam-me à tua mercê, enquanto a tua boca brinca com o meu ouvido sussurras-lhe "-Deixa-te levar"... Incontrolado, o meu corpo obedece-te mostrando-te o prazer que estou a sentir. Num frenesim de paixão as roupas saem voando pelo ar, as tuas mãos quentes, as tuas unhas percorrerem o meu corpo, forçando-me a sentir-te encostada a mim.

Atirado ao chão sinto o calor da lareira, lá fora a noite já vai alta, o silêncio de uma musica entoa pela sala abafada pelas nossas respirações ofegantes, por uns imensos segundos vejo-te, de pé a observar-me, como que a decidir por onde começarias a destruir-me de prazer.

Proíbes-me de te ver, o lenço que escolheste para me vendar inebria-me com o teu perfume, sorrio sozinho, ansioso a imaginar tudo que me vais fazer, em todas as sensações que me...

...frio....

...calor...

...húmido...

Como um animal selvagem aprisionado, libertas os teus lábios pelo meu corpo, ora fugazes, ora demorados, como que a descobrir um mundo que não conhecem. Sorris, sinto-te a sorrir, adoras o estado em que me deixas, adoras que me arrepie a cada beijo, a cada toque da tua língua.

Deixo de te sentir, a vontade de retirar a venda é prontamente interrompida por ti, pelo teu corpo, pelo meu corpo no teu interior... eu e tu, num único movimento, num crescendo de prazer, como se fôssemos apenas um corpo, apenas um ser... a racionalidade perde-se, tudo se perde, apenas tu e eu, só isso é importante... só esse momento em que o prazer reina e nada mais no mundo importa...

Un... prepared

Vislumbro a tua silhueta, sentada observando as pessoas em teu redor enquanto esperas por mim. Caminho pensativo em tua direcção, sinto-me cansado tal é a velocidade e numero de pensamentos que afloram na minha mente, "É mesmo isto que eu quero? o quê que eu quero? ser feliz... mas como!? Com quem!? Estarei eu pronto para seguir em frente, pronto para deixar de viver neste limbo a que tinha chamado minha vida?"

Olho para ti, sem saber bem como te dizer olá sento-me apenas a teu lado, como um estranho, como um mero desconhecido. Olho para ti como que pela primeira vez, vejo-te de uma forma diferente, um olhar que eu não estava habituado a ter, um olhar distante.

Com a voz tremula vais-me dizendo o que sentes, o que querias sentir, o que querias que eu sentisse, percebo que temes a minha resposta, consigo ver o receio no teu olhar. Quero falar, quero dizer-te o que sinto, quero dizer-te que assim não consigo, que não sei ser feliz assim, que, por muito que te ame... que te amo... não consigo fazer com que isso chegue, já não consigo que "só isso" seja suficiente.

Um aperto forte invade o meu coração, uma vontade insuportável, um sufoco, uma ansiedade atroz, uma DOR... choro, grito, bato, choro, insulto-me pelo que fiz sofrer.

Ainda na duvida, forço-me pensar que o fiz pelo melhor dos dois, ainda na duvida decido avançar sem olhar para trás.

Ainda na duvida tento sobreviver.

...perdida...

Sinto-te...
perdida,
perdida de sentimentos,
mas acima de tudo...
perdida da realidade
que os sentimentos
te roubam.

Sinto-te...
longe de mim,
longe dos meus sentimentos,
longe da felicidade
que mereces
e tanto ambicionas,
longe de... ti.

Sinto-me...
perdido nesse teu olhar,
na sublime beleza do teu ser
do teu coração...
perdido...
em ti.

Tudo passa pelo silencio...

Quieto, parado, sentado neste meu canto, a tentar ter alguma paz de espirito, a tentar forçar o meu cerebro a estar em silencio, preciso dele, hoje preciso do silencio como preciso de respirar, preciso... ainda que só por uns momentos abrandar,
parar,
ouvir o bater,
o respirar...

o silencio

Não é pelo hoje... é pelo sempre

Não é pelo hoje, pois o hoje é só hoje e não é o sempre... e o amanhã não é muito diferente do hoje, talvez seja do ontem... e daí, nem por isso, pois eu ontem amava-te, como... hoje, e o amanhã, como não é muito diferente do hoje, vou também te amar...

Adoro tanto em ti...

A cada dia que passa fico cada vez mais impressionado com a simplicidade das formas com que me fazes sorrir, da facilidade com que tornas o meu mundo tão facil, ou se me afasto de ti, tudo tão difícil. Adoro quando finges que tas zangada e como ficas querida quando o fazes, sorrindo, pergunto... "Sou dificil de aturar", mentindo-me adoro que me digas que não.

Fico horas a ver-te dormir, esperando que sonhes comigo mesmo estando dormir sobre meu peito, adoro que acordes a meio da noite, só para me contares o teu dia, ou simplesmente para trocar um olhar de tantas palavras.

Acima de tudo devo dizer que adoro é eufemismo para o que eu sinto em relação a tudo o que tu fazes, a tudo o que tu és...

Em suma o que eu quero dizer é... : Eu AMO tudo de ti

Tornas tudo tão facil...

Tornas simples ser feliz contigo,
Tornaste tão facil ser teu, só teu...
fazes com que seja tão facil estar a teu lado,
sentir que sou a tua vida e tu a minha,
tão simples sentir o teu amor...
tão facil ser amado....
e amar-te.

Hoje sinto-me tão...

Fraco,
tão péssimo, tão feio, tão abandonado, tão desprezado... tão... cansado...
Cansado de ter que lutar para ser feliz... tem que ser tão difícil? tem que ser uma luta? porque não sou simplesmente feliz...

S
into-me tão triste... tento fugir o mais que posso deste sentimento, fujo para ti meu porto seguro que tantas vezes me protegeu... . para ti... para o teu colo... para a tua protecção...
....
Diz-me... diz-me porque não me proteges? porque estou em ti e continuo a sentir-me assim...

TRISTE.

Nada....

Um buraco inexplorável,
um espaço que teima em não se preencher,
uma sombra que nos tapa,
nos esconde,
um perpetuo limbo de amargura
que não passa
não se substitui…

Apenas se renova...
...de... amargura.

Tento com amigos,
amigas,
trabalho,
...amor....
mas nada o preenche,
nada o faz parar de crescer,
nada me impedir de pensar…

nada me faz parar...
para ser... feliz.
para deixar de ser um…

NADA.

Já não somos 2

Aqui...
Sei que estou fisicamente longe de ti...
mas sinto-te perto...

tão perto que é estranho não te ver...

olho em volta,
procuro-te....
DIZ-ME ONDE ESTÁS???

sinto-te na minha pele,
sinto-te aqui comigo....

Paro...
fecho os olhos...

sorrio...

estás mais perto do que eu pensava...

estás comigo...
ou melhor
,
dentro de mim,
dentro do meu coração...

estás em mim...

somos amantes,

somos...
1

Prelúdio de um livro

Sinto-me torpe, tento que os meus membros abandonem a sua teimosia e me obedeçam uma vez mais, lentamente recomeço a sentir o fluxo de sangue percorrendo as minhas veias, tento que os receptores dos meus neurónios comecem de novo a funcionar, preciso de uma solução, um caminho... preciso de saber o que se está a passar comigo… tento com todos os sentidos perceber naquela penumbra onde me encontro, onde estou, que ano é este, sinto-me diferente… acho que aconteceu de novo … voltei a ser apanhado…
A maldição atacou...

No 52...já ninguém mora !

Chego ao inicio da rua, aquele passeio familiar cumprimenta-me, convida-me passar por ali uma vez mais... mas para quê...

A chuva, o vento, todo o universo parecia conspirar... sinto-me quase empurrado, quase obrigado a avançar... mas eu sabia.

Pesadamente avanço rua fora, os números das portas passam diante de mim. Num momento de insanidade um pensamento desperta-me os sentidos... "Estarias lá?" ... seria possivel que ainda me quisesses, seria possivel que tivesses esperado por mim...? Abanando a cabeça freneticamente tento que a realidade volte a prevalecer, esse pensamento esperançoso deveria cessar, deveria dissipar-se como nevoeiro em dia de sol, mas ele lá ficou inerte, persistente, envolvente...

Avisto o 50... tremo... por te sentir perto... por pensar que podes lá estar... não adianta, a esperança que sinto leva-me a avançar para ti, vou sofrer se não estiveres... muito mais do que sofri quando me disseste que ias embora...

O 52 finalmente aparece, diante de mim, a esperança em mim havia dado uma nova beleza aquela velha casa. Paro diante dela como nunca o havia feito, sempre com pressa, sempre de passagem, nunca a havia admirado convenientemente, mas agora sim, agora admirava-a porque queria que dentro dela estivesses tu. Tinhas que estar, tinhas que me ter mentido e ter ficado...

Subo rapidamente os degraus, uma injeção de adrenalina percorria-me as veias, sentia-te perto, tinhas que estar... bato suavemente tentando não demonstrar a minha excitação, espero... oiço ruido, a ansia de te ver toma conta de mim, não consigo pensar, só o coração perdendo a sua cadencia bate compulsivamente para te ver...

A porta abre, balbucio um... " - Ela está?"

A senhora de alguma idade confirmou-me o que no fundo eu já sabia...

"- Não, no 52 já não mora ninguém..."

Duvida...?

Duvida é uma ferrugem que nos prende, que nos faz ranger, que não nos deixa ser livres

Torna-se impressionante como nos deixamos subjugar, como nos impedimos de ser felizes, porque duvidamos que ela(e) sinta o mesmo, porque duvidamos de nós, duvidamos do futuro, mas acima de tudo porque duvidamos do desconhecido, temos pavor da duvida, da incerteza... sim porque não somos infelizes na certeza...

A duvida mata, destrói, aniquila qualquer vontade de melhorar qualquer esperança ou sentimento nobre.

Hoje não importa quem somos, o que fazemos, de onde vimos ou para onde nos deslocamos, simplesmente importa se temos a coragem de apesar de todas as duvidas arriscar uma escolha, sofrer, chorar, amar... qualquer uma, desde que não fiquemos naquela apatia quase morbida da não escolha...

Escolho viver.

Espinhos...

Não é facil...
aliás...
sei que não sou facil,
sei que sou a causa,
do teu temor... da perda,
da ausencia de mim,
do meu amor...
de nós...
mas os espinhos existem,
e o caminho que
escolhemos é esse.
É aquele que vamos,
percorrer...
juntos,

para sempre...

Proximidade...

Estás longe…
E sim, sei que não devia afectar
mas o que não te vejo fazer,
o que não te sinto sentir
afecta-me...

Afecta-me não te ter,
não te sentir, não te tocar…
incomoda-me ser ignorado,
que não me ligues,
que não sintas a minha falta...

Magoas-me quando te sou indiferente...
quando ficas atrás desse muro...
quando manténs essa distancia...
quando não me falas…

Quando demoras… a voltar,
A sossegar a minha saudade,
A derrotar o meu mimo…
Quando demoras a voltar ser…
…minha…

Caminhos cruzados...

Procuro-te por todo o lado,
invento desculpas para forçar encontros,
tento cruzar-me contigo,
mas não paras,
não olha,
nem reparas em mim...

Um teu olhar...
uma expressao tua,
apenas pequenas coisas que regem o destino do meu ser...
como é possivel tão pouco provocar tanto em mim...

Nao existe limiar para a loucura em que me deixas...

Sou teu.

Serenity

Cansado das guerras que o meu pequeno mundo me obriga a suportar, fecho os olhos a tudo isto, forço-me a parar, a desligar...

Por entre toda esta turbulência do meu ser, procuro a paz de uma imagem tua dentro de mim... olho para ti, com o cuidado de um primeiro olhar, mas na ânsia de voltar a ter... um olhar, um beijo, um simples toque dos teus dedos na minha pele...

Desespero por esse momento em que a felicidade que me fazes sentir se torne eterna e me deixe assim... completo.

Anseio por esse momento, o agora, o já, o eu e tu juntos...

para sempre…

Os teus olhos...

Observo os teus olhos... secos, já vazios de lágrimas gastas, de lágrimas perdidas num tempo

...vazio...

perdidas em busca de alguém que não existia fora da tua imaginação... fora desse teu desejo imenso de ser feliz, de ter alguém que te ame…

Regressas cambaleante do pequeno desvio onde te encontravas para o teu caminho, ainda a pensar no que perdeste...


de ganhar…?
de ser feliz…?
de sentir paixão...?

Quando provavelmente devias era pensar no que ganhaste por nunca te teres perdido para alguém que não existe e que nem te vê...
Como eu.

Fica aqui... comigo...

No canto,
no escuro,
comigo,
onde ninguém nos vê,
onde só eu te posso sentir,
onde só eu te posso amar...

Fica aqui...
não vás, não fujas...
deixa-me sentir-te,
deixa-me sentir as tuas células debaixo dos meus labios...
deixa-te ficar na segurança dos meus braços,
junto ao calor do meu corpo... e do meu coração.

Fica aqui...
Eu sou teu,
faz o que quiseres, mas não vas... fica comigo...
fica...
por favor...
...aqui...
comigo.

O beijo...

Observo-te, caminhando lentamente em minha direcção, prevendo o que me espera, sorrio. O meu corpo já reaje à tua presença, o meu cérebro já imagina os teus lábios húmidos a tocar nos meus, os pêlos do meu pescoço acordam, perguntando quem se aproxima, ainda não te sinto, apenas a tua respiração e já um frio percorre todo o meu corpo obrigando o meu coração a bater mais forte para compensar o arrepio sentido, o cerebro pára, nada faz sentido, só o coração bate, só o oiço, só o seu bater frenético...

O teu calor aproxima-se, já me aquece, já me deixa tonto... o teu perfume exalta nas minhas narinas, espero, anseio, desespero pelo momento de te sentir... de sentir os teus lábios, perco a razão, é incrivel esta loucura em que me deixas... nada racional persiste nesse momento...

Finalmente sinto-te, o calor aumenta, o coração já nao consegue abrandar, a minha boca deixa-se levar pelo teu sabor, pelo teu beijo, nada mais importa, só o teu sentir, o teu tocar... só esses labios importam, só eles fazem sentido...

...só simples toque dos teus lábios...

Tristeza...

Todos os dias te vejo passar, impressionas-me com os teus olhos, tristes e longinquos, com esse peso aparente que arrastas sozinha pelas ruas...

Não te conheço... é certo, como também é certo não me conheceres, mas estás triste... sabemos isso, sabemos que não consegues ter a felicidade que tanto mereces e ambicionas...

Sim já sei, eu continuo sem te conhecer, não tenho que me meter na tua infelicidade... mas não consigo conformar-me, a tua beleza merece outro olhar, mereces que essa carga, esse peso desapareça dos teus ombros...

Passas novamente por mim... o teu olhar humido, vazio de sentimentos, pesquisa-me inquisitivamente, provavelmente porque os meus olhos não te conseguem iludir... é um facto... acho que devias ser feliz...

Não te conheço...

Volto já...(?)

A pouca vontade de... tudo, mostra que a fatidica hora se aproxima rapidamente... o estômago aperta, o coração já começou a enviar sangue freneticamente a um cérebro já consumido pelo cenário que se aproxima. Esta sensação que me invade é tal que me deixa torpe, dormente... como é complicado deixar-te!

- Sim eu sei... eu volto depressa, mas não entendes!? não existe depressa quando estou longe de ti, o tempo cresce, toma outras proporções, torna-se imenso, demora... não passa.

Forço-me a deixar-te... a essa segurança, ao carinho dos teus braços, - eu tenho que ir - mas o frio da saudade invade o meu corpo... não quero ir, quero manter-me nesse calor, nessa segurança... porque me deixas ir... prende-me, deixa-me ficar contigo...

Vislumbro-te ao longe, presa no meu olhar já humido, tentando adiar o máximo esta inevitabilidade, mas vejo-te já do lado de lá do vidro... tento gravar essa imagem, pois será a ultima que tenho tua nos próximos tempos...

Aceno um ultimo adeus, esperando retornar a esta imagem de ti o mais rápido possível.

Inquietude...

Sinto acima de tudo amargura, pelo facto de, neste momento, estar apático, de não sentir ou pensar, de não conseguir definir se é a razão ou o coração que rege o meu ser...

Irrita-me este limbo, irrita estar preso nesta indefinição de sentimentos / pensamentos, irrita estar pendurado neste pêndulo que não escolhe um dos lados, neste equilíbrio precário onde não quero estar, onde não me sinto bem...

...quero viver, quero sentir-me vivo, apaixonado, feliz, desequilibrado, enfrentando com coragem os erro ou a possibilidade de sofrimento...

Quero-te a ti, sem receio ou temor, quero-te pois é só isso que faz sentido... tira-me deste yin e yen, deste nevoeiro que me impede de ver para onde quero ir...

e com quem quero estar...

Imperfeições...



Ephemeroptera

Deviamos estar preparados, não é algo que nos devia surpreender pois sabemos à partida que vai acontecer, sabemos desde crianças que tudo o que é bom termina prematuramente, mas nunca estamos, nunca sabemos quando será a hora da perda, da ausencia definitiva...

Somos quase forçados a acreditar que a cada perda, ficamos melhor, mais fortes, mas egoisticamente pensamos sempre, como podem eles estar melhor sem nós... tudo o que é sentimento de perda é egoismo... nós perdemos, nós ficamos sem algo... não se trata que alguém tenha sofrido, mas sim que nós perdemos o acesso a essa pessoa, perdemos a companhia que ela nos fazia, perdemos o espaço que ela ocupava no coração... e não o conseguimos repor...

Acabamos por ser Ephemerides, acabamos por passar fugazmente por uma vida que nem sempre nos realizou, nem sempre conseguimos ser felizes... mas quando deixamos de estar cá... alguém egoisticamente sente a nossa falta.

Eu sou egoista... eu sinto a tua falta...

Silencio...

Talvez achem que temer algo tão inocuo, tão simples, quase até tão ausente é barbaricamente estupido... mas é um facto, eu temo o silencio, eu fujo dele o mais que posso, refugiando-me constantemente em ruidos que não me deixam parar... para pensar...

Estar só devia ser algo bom, silencio ao nosso redor é bom para despertar o que mais profundo vagueia pela nossa mente, é uma excelente oportunidade de auto-conhecimento, a evolução como ser humano depende destes silencios... mas... isso não acontece... a razão é despertada no meu interior, e ela corroi, destroi, elimina, apaga, suprime todo o que de bom existe em sua volta...

Este silencio não é bom, não ajuda, a perturbação que ele causa é tal que só me sinto seguro envolto em ruido, preciso daquele ruido que me impede de pensar, de ter medo...

preciso que me causes ruido...

Escrevo...

...para tentar organizar de forma coerente os pensamentos que vagueiam pelo meu cerebro... mas o cansaço é tal que essa mera organização morre sem se iniciar... Este dia soturno convida a chocolate quente, lareira e cobertor, mas a inquietude dos pensamentos vagabundos não deixam que esta soturnidade ambiente se instale e se acomode no meu ser.

Luto contra a força das horas nas palpebras, luto para que o cerebro não pare, para que esta organização, agora começada, termine, mas como é dificil... como é complicado saber o que sinto, como é complicado quando a razão se mistura com o coração... Este tumulto de estimulos que constantemente luta com a clareza de pensamentos dificulta de tal forma, que nenhum prevalece, apenas o caos da indefinição...

Ignorance is bliss

Gostava de ser ignorante, simples, lento... o que quiserem chamar... de não estar constantemente a duvidar, a questionar ou até mesmo confrontar as teorias de Kant, Nietzche ou outro qualquer pensador a natureza humana... Sim porque para o meu cerebro questionar é respirar, o eterno questionamento é o oxigénio, o sangue o que faz trabalhar, sem esse desafio definha... morre.

Quando a paixão existe todas as questões são respondidas por ela, pois todo o cerebro está invadido pela excitação da nova relação, não pensam... age. O problema é que mesmo que o amor exista, a paixão não dura, esmorece, abranda, acalma e aí... a razão volta, insensivel, cruel, racionalizando, provocando ruidos, tolhendo qualquer sentimento, distorcendo-o em algo putrido e completamente diferente da sua beleza inicial... até que vence... o sentimento é destruido pela razão.

Gostava de vencer este ciclo, de o quebrar... gostava de ser simples, com ideias simples, sentimentos simples... enfim ignorante.

Felizes são os ignorantes que não sabem o que é amar, pois não sabem o que é sofrer...

Caminhos (des) cruzados



Os dias vão passando, e este aperto que incomoda, este calor, esta febre que não me larga, esta ansia que não passa, não te dissipa da minha mente... vivo para esses 5 minutos que passo... longe... de ti, para esses fugazes segundos em que me escondo por detrás do meu olhar timido e fugitivo, quase temendo a tua beleza intimidante, tentando ao máximo evitar esse teu olhar negro, profundo e inquisitivo.

Só te encontro nesses breves segundos... excitado a cada expressão tua, a cada olhar, a cada frase... e ao mesmo tempo chorando quando me ignoras, quando não me olhas e não me falas.

Escondo-me agora cobardemente detrás deste muro informático, de olhar seguro, imaginando a tua beleza e esperando encontrar-te amanhã...

...por mais 5 minutos...

Porquê...

Porquê...?
Porquê que já não me amas?
O que fiz de errado?
O que deveria ter feito?
Porque não me sorris, porque foges com o olhar quando eu te procuro, quando eu digo que te amo e que és a minha vida?
Sim porque eu continuo a te amar... eu continuo a sentir este imenso sentimento por ti... eu continuo a ver-me envelhecer a teu lado... eu continuo...
Devastação... foi o que deixaste no meu coração... não, não consigo lembrar-me dos momentos bons que tivemos... so esta dor pressiste, só este sentimento de perda, de vazio, de solidão...
Quero acabar com este inferno frio de sentimentos...
Quero acabar...
Quero o fim.

Coragem ou cobardia?

Como anti-social que sou, mantenho-me adverso ao contacto humano, refugio-me cobardemente nestes pequenos pedaços de informação... sou um triste... sim porque falar por entre bits e bytes, por detrás de um heterónimo facilita, torna mais facil mostrar quem somos, mas também torna mais facil adornar as arestas da nossa personalidade...

Será isto justo!?, não seria mais correcto a coragem do cara a cara, do impacto, da dureza da realidade... sim, admito-me um cobarde, como tantos outros oculto-me por detrás de emaranhado de blogs, não consigo ser diferente ou sequer me afastar desta realidade...

O que será o amor...?



Trazer sentimento onde existe apenas razão poderia ser uma descrição aproximada acerca do que é o AMOR, mas esta claramente peca por insuficiente...

Gosto, aliás sempre gostei, de analisar, estudar até mesmo dissecar a natureza humana, perceber o que faz as pessoas agir, reagir, o que as faz sentir, alegria, ódio, dor. No entanto sempre existiram, (e provavelmente continuarão a existir) coisas que eu nunca entendi... Mas eu sou limitado em termos de consciencia e entendimento...

Nunca entendi porquê que os portugueses se enfiam no shopping num dia de calor, porquê que o gas só acaba quando sou eu a tomar banho, porquê que existem pessoas que odeiam outras... e acima de tudo nunca consegui entender o amor.

Como nos muda, como nos faz ser ótariamente felizes, parvoneamente crentes, estupidamente optimistas, tristemente compulsivos e ridiculamente carinhosos... apesar de perceber isto tudo, nunca fui capaz de dissecar o amor, talvez, porque não deva ou não seja possivel mesmo faze-lo.

Entendi...

... simplesmente não é possivel dissecar o amor porque ele nunca morre...

Balelas e outras parvoices...

O luar sempre foi bom conselheiro... mas hoje... hoje em dia caminho por estradas sombrias... estradas escuras que não me levam a lado nenhum... ou que me levam por caminhos que nem sei se quero caminhar...

Estes caminhos obscuros impedem-me de sentir... de sonhar... algo me leva a pensar que caminho para o final dos meus tempos...

Choro...

O fardo da solidão é tão pesado... o este sofrimento é tão pesado... AJUDEM-ME... tirem este fardo das minhas costas... mas ninguém tira... ninguém ajuda... ninguém me... vazio...solidão...

...sofrimento...

Tento por todos os meios que tenho ao meu alcance perceber o que se passa comigo, o que se passa com este mundo... mas não consigo perceber nada... não consigo sentir... se calhar é por isso...

...paro...

Releio o que acabo de escrever... e chego a simples conclusão que hoje é apenas como um dos muitos ( ou todos os ) dias da minha vida em que me sinto carente... sinto falta que me acariciem... que alguém me diga “gosto de ti”...

...sinto falta de tanta coisa...

Acho incrivel e impressionante como alguém como ( sei lá, por exemplo ) eu tenha tanto receio ( para não falar de um verdadeiro terror ) de ficar só... não percebo porquê que sou assim... não sei se sou mais sensivel que os outros, não sei se mais pessimista... ou se ( e se calhar é mesmo esta a opção ) apenas mais estupido por estar a pensar nestas merdas...

Mas pronto...o fundo da questão é que não entendo porquê que sou assim!!!

Respeitosamente,
Paulo Silva.

Drogas...

Em Lisboa ( floresta de betão ), dei-me conta da realidade tinha-me tornado um toxico-dependente ( leia-se amor-dependente ), eu havia começado a consumir, as chamadas drogas leves, à muitos anos atrás, e sem dar por isso fui-me tornando num consumidor inveterado, destas drogas. Uns “flirts“ aqui e ali, umas pequenas paixões mais a diante... até que um dia encontrei, e sem sequer pensar nas consequências, injectei o Evereste deste tipo de drogas, primeiro pequenas doses e depois doses maiores... havia encontrado o AMOR,

Fui-me injectando regular-me, de modo a evitar a ressaca, até que um dia quase morria de overdose... pensei que era o pior que me havia acontecido na vida, mas... o pior, o verdadeiro mal, ainda estava para vir... a ressaca. A ressaca obriga-me a pensar, não sei em quê, mas em algo, não consigo fazer com que o meu cérebro pare de pensar... fico confuso, eu, uma pessoa com a perfeita capacidade de controlo sobre todo o meu ser... perdi completamente o controlo, não consigo parar de pensar... como é isto possível, em que parte da minha vida é que eu perdi o controlo de mim...? Acho que sei o que preciso... acho que preciso de alguns estalos para acordar... para que eu me aperceba que não estou sozinho neste mundo, não sou o único toxico-dependente... preciso de uma reabilitação, para que me devolvam a vontade de viver...
Essa vontade, perdi-a à cerca de 7 meses atrás, quando cheguei a este antro de podridão... foi então que perdi tudo o que significava algo para mim, perdi a minha família, amigos, a minha aldeia e cidade... mas acima de tudo, o canto dos pássaros pela manhã, a brisa do mar, perdi... a minha VIDA...

Quando eu pensava que era o fim, que a morte se aproximava a galope, os meus anjos salvadores apareceram... pagaram a minha fiança e finalmente pude sair em liberdade... inspiro.... expiro... inspiro... expiro... ...finalmente estou livre...

Sai de Lisboa ainda a ressacar e com a marca de ex-recluso na testa... eu... agora... era um ex-recluso da dor à procura de re-inserção social, no cruel mundo dos sentimentos... mas um ex-recluso é sempre um ex-recluso, e foi com essa discriminação que tive que lidar, e só depois, aprender a viver com ela...
...mas não sei se era de mim, se era algo que as outras pessoas provocavam em mim, se era simplesmente o facto de eu ser um ex-recluso, mas... algo faltava, o meu corpo pedia e desejava ardentemente algo... penso... será isto uma recaída, andava eu novamente à procura desta droga...
Em Lisboa ( floresta de betão ), dei-me conta da realidade tinha-me tornado um toxico-dependente ( leia-se amor-dependente ), eu havia começado a consumir, as chamadas drogas leves, à muitos anos atrás, e sem dar por isso fui-me tornando num consumidor inveterado, destas drogas. Uns “flirts“ aqui e ali, umas pequenas paixões mais a diante... até que um dia encontrei, e sem sequer pensar nas consequências, injectei o Evereste deste tipo de drogas, primeiro pequenas doses e depois doses maiores... havia encontrado o AMOR,

Fui-me injectando regular-me, de modo a evitar a ressaca, até que um dia quase morria de overdose... pensei que era o pior que me havia acontecido na vida, mas... o pior, o verdadeiro mal, ainda estava para vir... a ressaca. A ressaca obriga-me a pensar, não sei em quê, mas em algo, não consigo fazer com que o meu cérebro pare de pensar... fico confuso, eu, uma pessoa com a perfeita capacidade de controlo sobre todo o meu ser... perdi completamente o controlo, não consigo parar de pensar... como é isto possível, em que parte da minha vida é que eu perdi o controlo de mim...? Acho que sei o que preciso... acho que preciso de alguns estalos para acordar... para que eu me aperceba que não estou sozinho neste mundo, não sou o único toxico-dependente... preciso de uma reabilitação, para que me devolvam a vontade de viver...
Essa vontade, perdi-a à cerca de 7 meses atrás, quando cheguei a este antro de podridão... foi então que perdi tudo o que significava algo para mim, perdi a minha família, amigos, a minha aldeia e cidade... mas acima de tudo, o canto dos pássaros pela manhã, a brisa do mar, perdi... a minha VIDA...

Quando eu pensava que era o fim, que a morte se aproximava a galope, os meus anjos salvadores apareceram... pagaram a minha fiança e finalmente pude sair em liberdade... inspiro.... expiro... inspiro... expiro... ...finalmente estou livre...

Sai de Lisboa ainda a ressacar e com a marca de ex-recluso na testa... eu... agora... era um ex-recluso da dor à procura de re-inserção social, no cruel mundo dos sentimentos... mas um ex-recluso é sempre um ex-recluso, e foi com essa discriminação que tive que lidar, e só depois, aprender a viver com ela...
...mas não sei se era de mim, se era algo que as outras pessoas provocavam em mim, se era simplesmente o facto de eu ser um ex-recluso, mas... algo faltava, o meu corpo pedia e desejava ardentemente algo... penso... será isto uma recaída, andava eu novamente à procura desta droga...

Razão vs sentimento...

Por entre o seu emaranhado de neurónios, surge, a confusão, a desordem... o sentimento, como que obriga-me a amar, incessantemente, sem olhar a nada nem ninguém... mas a razão impede-me de o fazer... o sentimento aproxima-nos mas a razão repele tudo e todos... nunca até então tinha a razão, sido mais forte que o sentimento, que de pequena preocupação se tornou um enorme tormento....

Grito, grito como nunca havia gritado até à altura, deixei-me completamente levar pelo meu grito, perdi total e completamente o controle... controle, que sempre gostei de manter, e controlar... Como é que eu cheguei a este ponto... como? Onde estás sentimento, porque foges de mim? Razão porque me persegues...

A continuação do primeiro Amor...

Oh o Amor!
Um sentimento que...
Sentes sem sentir,
Uma alegria superior
De um coração inferior,
Que não pode sofrer,
Sem ter nada a perder
Apenas o teu amor
O da sua companheira,
Que ama a vida inteira
Sem notar que esta passa...
E sem que ela nada faça
Faça pelo seu poeta,
Pelo trovador que a ama
Que ama a sua dama...

A conselheira

Quem melhor conselheira...
Que alguém que amou a vida inteira
Alguém que disse não...
Não à tristeza, não à solidão
Mas alguém que disse sim,
Sim ao amor,
sim ao desprezo pelo fim
Sim ao fim deste deserto,
deste vazio
Deste corpo que secou de vida,
como seca um rio...
Mas eis que uma aparição
Invade este triste coração
Apagando aquela dor
Que me provocou o amor,
E foi essa aparição que...
Destruiu a minha a razão...
Pensar eu,
mais não
Agora só com o coração...

Inferno frio

O meu ser ficou vazio,
Vazio de sentimentos... de amor...
mas cheio de sofrimento,
de dor,
Cheio deste gritante suplicio,
Deste inferno frio,
Desta multidão de amigos,
que me deixa...
...só...
O meu coração está vazio,
Preciso de ti em mim...
Para que esta dor
possa ter um fim...

O momento...

Eternos dias passaram, desde…
…o momento…
aquele em que tudo acabou.
O momento em que
A solidão chegou…
Em que o tormento começou,
É a solidão quem me faz escrever,
Mas é a dor que me faz sofrer
A dor...
...provocou-ma o Amor...
mas sem ele não sei viver...

Onde estás salvadora?

Serás tu a minha salvadora ?
Ou apenas alguém que eleve o meu coração,
Ao clímax do sentimento, da razão
Para que depois o largar
Para cair e ser pisado, neste duro e triste chão...
(...)
Estou aqui sentado a pensar...
A pensar em algo que me alegre
Em algo que consiga fazer-me feliz...
Mas nada consegue, nada muda...
...nada...
Nada me consegue libertar
desta dor que me acorrenta
Nada consegue apagar,
O enorme vazio que me atormenta...

Pensar como Pessoa...

Apesar de nada ser...
Como Pessoa o poeta
Sento-me no café a escrever
Pressinto a dor, mas busco o amor,
Mas, não será o mesmo...
Não será melhor nada ter
Nada pensar, nada escrever...
Sim porque escrever é pensar, e...
pensar é perder o sentimento, é chorar...
Oh como eu choro,
Oh como eu penso...
Mas para quê chorar
Quando podemos sonhar,
E para quê pensar quando...
O coração não pensa,
Apenas...
...ama...

Visão...?

Hoje vi-te...
Mas não eras tu...
Era ela...
ela que me seduz...
Era ela...
ela que me atrai...
Talvez para um ninho de malícia...
Ou talvez para um ninho de amor...
Mas...
Conseguirei eu superar...
esta minha aversão ao sentimento...
Conseguirá ela quebrar este feitiço...
Que me leva a não sentir...
A não chorar...
e não amar....
Um vegetal, nasce, cresce e morre,
Gerando outro vegetal...
Eu não quero morrer...
Eu não quero que mais alguém possa ficar como eu...
Por isso...
EU NAO VOU MORRER...

Procuro algo...

Procuro-te...
Pareço um puto estúpido à procura de algo...
Pareço um puto estúpido à procura de uma pseudo-namorada que provavelmente irei deixar dias depois...

Eu não te procuro eu persigo-te, observo todos os cantos, todas as esquinas, em busca do teu sorriso, da tua simpatia, do teu ser...

Encontro-te, mas não me sorris, não me és simpática... fujo e procuro......procuro......procuro......procuro...
...não te encontro.

Por isso sinto-me só... sinto-me infeliz... sinto-me incapaz de sentir, por não ter ninguém com quem partilhar, os meus mais íntimos segredos, os meus medos e frustrações...

Enquanto não te encontrar......serei infeliz...

Respeitosamente,

Jonnhy Anonymous Doe

Amar...

Se amar é sofrer...
Quem é que precisa de amar?
Se Amor é sofrimento...
Quem é que precisa de sofrer...
Este sofrimento, que...
Deixou toda minha alma num tormento,
Tornando-me nesta horrível aberração,
Deixando-me apenas com esta dor e...
...solidão...
Hoje...
Hoje sou alguém que nunca fui,
Alguém que nunca gostei de ser...
Hoje anseio,
Aos tempo em que gostava de viver.

O primeiro Amor

Oh o amor !
Um vazio de palavras
Saindo trôpegas e parvas,
Um calafrio na espinha
Desta paixão que é a minha,
Que sufoca pela dor
De não ter o teu amor,
Que busco incessantemente,
Contigo em minha mente
E sem perder a esperança,
Que fere como uma lança
Este fraco coração,
Que desespera por paixão
Que implora por ser amado
Pelo teu coração fechado....