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A tempestade

A noite está escura como breu, olho para fora do carro e sorrio sem vontade, a natureza está a concordar com o meu estado de espírito.

De máximos ligados continuo, louco, estrada fora fugindo por entre aquelas árvores, ignorando o perigo, apenas focado em fugir de ti, em fugir das tuas palavras que sinto marcadas a fogo no meu cérebro.

A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

Estaciono, saio do carro para não ouvir a tua musica novamente. Um arrepio intenso faz-me apertar o casaco e saio a passos largos, enquanto o frio e a chuva esforçam-se por me enregelar os ossos, o espírito, esse, já à muito está enregelado.

Esfrego os olhos tentando eliminar o cansaço da viagem nocturna. De olhar vazio, avanço mecanicamente pela rua, lutando contra os elementos, lutando contra a tua imagem.

Vejo finalmente a minha casa, o sol nasce atrás de ti. Com frio, mas com os primeiros raios de sol na minha face, decido abrandar e abraçar aquele sol.

Amanha o dia vai ser melhor.
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