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"Strawberry fields forever"

Contemplo-te, no lado oposto da cama mergulhada no azul do meu lençol, à medida que te oiço falar o teu tom de voz rouco e sonolento derrete-me a um ponto que eu não achava ser possível. Não sei se é pelas palavras ternurentas ou pelo tom doce do teu olhar... ou simplesmente pelo simples facto de estares... ali.

Sorrateiramente, arrastas-te até mim, o calor do teu corpo despido desperta-me, a tua face deita-se sobre o meu peito arrepiado enquanto sinto a tua perna enroscar-se na minha. Num acesso de energia lanças-te sobre mim com aquele sorriso de quem prepara uma "vingança terrível", elevas-te, o teu olhar outrora doce torna-se felino e fixo no meu, num misto de intimidado e excitado sinto-te planeares o teu próximo passo...

... o que farás?
(to be continued)
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A tempestade

A noite está escura como breu, olho para fora do carro e sorrio sem vontade, a natureza está a concordar com o meu estado de espírito.

De máximos ligados continuo, louco, estrada fora fugindo por entre aquelas árvores, ignorando o perigo, apenas focado em fugir de ti, em fugir das tuas palavras que sinto marcadas a fogo no meu cérebro.

A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

Estaciono, saio do carro para não ouvir a tua musica novamente. Um arrepio intenso faz-me apertar o casaco e saio a passos largos, enquanto o frio e a chuva esforçam-se por me enregelar os ossos, o espírito, esse, já à muito está enregelado.

Esfrego os olhos tentando eliminar o cansaço da viagem nocturna. De olhar vazio, avanço mecanicamente pela rua, lutando contra os elementos, lutando contra a tua imagem.

Vejo f…

sinto-te em mim

Tentei, sério que tentei... Tentei de todas as formas apagar-te de mim, passar uma borracha, um corrector, riscar, destruir tudo o que vivemos. O sofrimento era tal que tentei por todas as formas preencher com ruído aquele buraco enorme, aquele vazio aparentemente interminável que ficou depois de partires.

De olhos vidrados, vou-te observando, foto atrás de foto, memória atrás de memória. Se me perguntassem, juraria que é uma irritação o que tenho nos olhos, mas na realidade, é a tua falta, é a dor que sinto de não te ter aqui. Não deves saber, mas as imagens que ainda não consegui limpar de ti, cortam-me os pensamentos como relâmpagos, sem ordem ou direcção própria ou sequer destino, apenas milhares e milhares de imagens e momentos numa enxurrada destruidora de qualquer racionalidade ou sanidade mental.

Será que tens a mínima noção... será que te apercebes de como me fazes feliz quando simplesmente me sorris nas poucas vezes que nos vemos hoje em dia... e como me torturas quando me diz…

(Mais) Um (novo) passo...?

Todos os dias damos imensos passos, alguns pequenos, como decidir acordar cedo e sair da cama, decidir fazer a barba, comer menos, fazer uma dieta e outros maiores como voltar a estudar, mudar de emprego ou mudar de carro.
Existem no entanto alguns que são life-changing.
A mudança é sempre difícil, acho que é normal que exista uma resistência natural à mudança, os nossos cérebros não estão preparados para a mudança, são formatados desde a infância para procurar, criar padrões e equilíbrios para que nos mantenhamos sãos e racionais... e eu... ora eu não sou excepção a esta regra.
Existem no entanto coisas que tornam a mudança mais fácil de digerir, de aceitar, na dieta uma francesinha uma vez por semana, no trabalho um aumento, no acordar cedo... euh... pois neste não existe parte boa.
Mas depois... depois existem aquelas mudanças, que não damos conta, que simplesmente acontecem, aquelas que são... naturais... que são... boas. Aquelas mudanças que só damos conta quando pensamos em fazer a…