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Chegar a ti.

Abro os olhos, após quatro horas finalmente vejo Lisboa chegar... a torpeza que sinto desaparece pelo silvo da porta a abrir, num crescendo de excitação apanho as minhas coisas e saio para o vento da estação, à porta respiro fundo enquanto olho em volta à tua procura. Vejo abraços de olá, vejo os apressados por chegar a casa, por chegar ao trabalho... mas não te vejo... e eu só quero chegar a... ti.

Algo desiludido por me esperares no nosso ponto de encontro, desloco-me para as escadas, o vento frio corta-me a cara mas o meu coração já dispara por ti. Sorrio quando oiço o meu mp3 brincar com os meus sentimentos tocando uma musica que agora é tua. Automaticamente aproximo-me do nosso ponto de encontro, sinto-me perdido no meio de tantas pessoas, percorro-as uma a uma procurando-te, esperando que estivesses ali, à minha espera...

Não te vejo, olho em volta pensando se aquele não seria o sitio onde sempre nos encontramos, mas é, eu tenho a certeza, percorro todo o cinzento da estação, todas as pessoas, todos os lugares e finalmente sorrio, timidamente vejo-te a mexer no telemóvel, levantas a cabeça e sorris, procurando a tua, estico a minha mão timidamente respondes-me com o calor da tua mão, nervosa...

Olho-te nos olhos, perco-me completamente na imensidão desse azul, fico hipnotizado por eles a cada olhar teu, como que pedindo-te autorização, aproximo-me só o suficiente para me sentires respirar. Suavemente, toco-te com o nariz, sorris-me, perco qualquer medo, qualquer receio, mas travo ao primeiro toque dos teus lábios... percebes-me e avanças para um beijo longo, demorado, onde partilhamos um abraço, onde partilhamos o sabor, onde partilhamos... tudo.

Não percebi bem o que se passou, o mundo ficou desfocado e apenas tu estavas no meu olhar, ficava ali, naquele Eden, a beijar-te indefinidamente, mas noto que o exterior mudou, apenas porque paraste de me beijar, porque paraste!? porque não estas colada a mim!? Finalmente o mundo ganha detalhe, olho em volta e vejo o teu quarto, vejo-te deitada a meu lado... sorris-me... parados sem nos tocarmos adormecemos lado a lado a sorrir e a sonhar com o amanhã...

Foto do autor : Ayush Bhandari
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A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

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