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Ephemeroptera

Deviamos estar preparados, não é algo que nos devia surpreender pois sabemos à partida que vai acontecer, sabemos desde crianças que tudo o que é bom termina prematuramente, mas nunca estamos, nunca sabemos quando será a hora da perda, da ausencia definitiva...

Somos quase forçados a acreditar que a cada perda, ficamos melhor, mais fortes, mas egoisticamente pensamos sempre, como podem eles estar melhor sem nós... tudo o que é sentimento de perda é egoismo... nós perdemos, nós ficamos sem algo... não se trata que alguém tenha sofrido, mas sim que nós perdemos o acesso a essa pessoa, perdemos a companhia que ela nos fazia, perdemos o espaço que ela ocupava no coração... e não o conseguimos repor...

Acabamos por ser Ephemerides, acabamos por passar fugazmente por uma vida que nem sempre nos realizou, nem sempre conseguimos ser felizes... mas quando deixamos de estar cá... alguém egoisticamente sente a nossa falta.

Eu sou egoista... eu sinto a tua falta...
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A tempestade

A noite está escura como breu, olho para fora do carro e sorrio sem vontade, a natureza está a concordar com o meu estado de espírito.

De máximos ligados continuo, louco, estrada fora fugindo por entre aquelas árvores, ignorando o perigo, apenas focado em fugir de ti, em fugir das tuas palavras que sinto marcadas a fogo no meu cérebro.

A chuva bate freneticamente no meu para-brisas, os kilometros passam por mim como segundos, não consigo abrandar, nem acho que quero. A estrada é um torna-se um simples borrão, que vai passando atrás da repetição da tua imagem a ir-se embora.

Estaciono, saio do carro para não ouvir a tua musica novamente. Um arrepio intenso faz-me apertar o casaco e saio a passos largos, enquanto o frio e a chuva esforçam-se por me enregelar os ossos, o espírito, esse, já à muito está enregelado.

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sinto-te em mim

Tentei, sério que tentei... Tentei de todas as formas apagar-te de mim, passar uma borracha, um corrector, riscar, destruir tudo o que vivemos. O sofrimento era tal que tentei por todas as formas preencher com ruído aquele buraco enorme, aquele vazio aparentemente interminável que ficou depois de partires.

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